Criptomoedas financiam projetos de sustentabilidade
Moedas digitais podem servir como ferramenta e também agentes para apoiar iniciativas ambientais e sociais
As criptomoedas, sediadas na blockchain, vêm ganhando cada vez mais espaço no mundo hoje. Não apenas pela sua segurança, rapidez e transparência, mas também pela sua versatilidade, capazes inclusive de serem utilizadas para financiar projetos sociais.
Pensando nisso, hoje você vai descobrir de que maneira isso é possível, tendo em mente que não são tudo flores: há diversos desafios, como sua própria geração a partir do processo de mineração – atividade que consome bastante energia. Mas alternativas vêm sendo criadas para reduzir riscos ao meio ambiente.
O que projetos ambientais e criptomoedas têm em comum?
Para entender o percurso que as criptomoedas percorrem para chegar nos projetos de sustentabilidade, é necessário saber que existem dois caminhos possíveis para isso: doações e tokenização de ativos.
Doações
O jeito mais direto e simples de utilizar essa tecnologia é abrir uma plataforma que use criptomoedas para arrecadar doações de interessados em ajudar um projeto ambiental.
A rastreabilidade da blockchain possibilita conferir se o dinheiro foi designado para a causa corretamente. Já a descentralização e a independência dos sistemas financeiros mais tradicionais permite que as doações atinjam comunidades com menos acesso a esse tipo de serviço, tornando as moedas digitais grandes aliadas para doar de maneira fácil e segura.
Existem plataformas de crowdfunding como a brasileira Dominó do Bem, a FundedByMe e a GreenToken que em uma mesma página reúnem diversas instituições e projetos sociais a serem ajudados, permitindo uma experiência simples e direta para ajudar esse tipo de causa doando diretamente em moedas digitais.
Tokenização de ativos
Tokenizar ativos significa pegar ativos físicos, como florestas, terras agrícolas ou reservas de preservação natural, e transformá-los em tokens digitais na blockchain. Ou seja, cria-se uma “ação” só sediada no digital, com todas as vantagens que ele fornece.
O Toucan Protocol e o Real, por exemplo, são plataformas que utilizam a tokenização para financiar reservas ambientais e iniciativas de conservação. Essas atividades promovem investimento em práticas de agricultura regenerativa e reflorestamento de áreas desmatadas.
Assim como as ações da bolsa, é possível que investidores adquiram partes desses ativos, contando com a transparência de conferir a autenticidade e o histórico das transações que ocorrem.
Criptomoedas como atores diretos do financiamento ambiental
Além de servirem como ferramenta importante para auxiliar em estratégias e na prática de financiamentos para diversos projetos, certas criptomoedas atuam, de diversas maneiras, diretamente com projetos de impacto sustentável.
Criptomoedas verdes
Criptomoedas mais tradicionais, como a Bitcoin, utilizam um sistema chamado proof-of-work (PoW) para realizar a mineração e rodar a blockchain que as sedia. Esse sistema tem uma demanda altíssima de energia, prejudicando o meio ambiente
No entanto, pensando em se adequar às demandas cada vez mais sustentáveis do planeta, algumas criptomoedas utilizam outro sistema para sediar as moedas digitais, conhecido como proof-of-stake. O PoS é um mecanismo energeticamente mais eficiente, ou seja, exige menos energia para funcionar. Dois exemplos de moedas que utilizam esse sistema são a SolarCoin e o Energy Web Token.
Projetos de compensação de carbono
A natureza transparente, segura e rastreável das transações através de blockchain não apenas são úteis para manipulação de dinheiro, mas também podem servir para compra e venda de créditos de carbono.
Plataformas como a Verra, Green Blockchain Initiative e KlimaDAO utilizam essa tecnologia para rastrear os créditos, abrindo a possibilidade para que empresas e pessoas possam investir em projetos ambientais nas próprias plataformas que geram a compensação de emissão de CO2.
Existem também moedas digitais que já estão relacionadas com algum projeto ambiental, ajudando no financiamento de causas sustentáveis. Um bom exemplo é o Moss Cabon Credit (MC02), que auxilia no financiamento de reflorestamento e preservação de florestas ao redor do mundo.
Desafios
O futuro das criptomoedas é promissor, entretanto, alguns desafios ainda devem ser superados para que elas sejam mais efetivas tanto em ter um DNA sustentável por si mesmas como para auxiliar no financiamento de projetos que as usem como ferramenta.
O primeiro ponto essencial é a questão, já tratada acima, do modelo proof-of-work, que ainda é o mais comum. Apesar de haver uma propagação cada vez maior de moedas digitais adotando o proof-of-stake.
Outro desafio tem a ver com as regulações acerca das criptos. Em muitos lugares, inclusive no Brasil, ainda há falta de políticas regulatórias claras sobre como as moedas digitais podem atuar e estabelecer facilitações para que elas ajudem iniciativas ambientais.
Por fim, é necessário superar o obstáculo da acessibilidade, pensando tanto em doadores que queiram contribuir com criptomoedas, quanto nos projetos e comunidades que vão receber os recursos.
É necessário garantir a infraestrutura e capacitação para que a população possa usar essa tecnologia de maneira eficiente para vivermos em uma realidade onde apoiar projetos de sustentabilidade através de moedas digitais seja algo cada vez mais comum, simples e acessível.

